Continuando a série de reviews das revistas publicadas pela Panini Comics mostrando o reinício do Universo DC na forma de Os Novos 52 (estão no ar reviews de Liga da Justiça, Batman, Lanterna Verde, Superman e Universo DC), agora é a vez de A Sombra do Batman n°1, que publica as revistas Batman & Robin, Batwing, Batgirl, Mulher-Gato, Capuz Vermelho e Os Foragidos, Asa Noturna e Batwoman. A primeira edição tem 148 páginas e custa R$14,90.
Batman & Robin (Batman & Robin #1)
Equipe: Peter J. Tomasi (roteiro), Patrick Gleason (desenhos), Mick Gray (arte-final), John Kalisz (cores).
Sinopse: Nascido Para Matar - Bruce Wayne tenta ensinar seu filho Damian as suas motivações para ser o Batman.
Análise: Muitos leitores torceram o nariz para Damian Wayne, filho de Bruce e Talia Al Ghul, que Grant Morrison tirou do limbo da continuidade do universo DC quando assumiu a revista do Homem-Morcego. Mas, pelo menos na minha opinião, Damian acabou se tornando um personagem interessante depois que assumiu a identidade de Robin.
Mas isso aconteceu quanto o Batman era Dick Grayson, não Bruce Wayne. E a dupla dinâmica funcionou muito bem dessa maneira por ter apresentado uma troca de papéis: Dick Grayson era o Batman "bem humorado", enquanto o papel sisudo da dupla passou para o Robin, com Damian tendo sido criado apenas para substituir seu avô, Ra's Al Ghul, como líder da liga dos assassinos. Mas e agora que Bruce Wayne é novamente o Batman, como fica essa relação?
O roteiro de Peter J. Tomasi acerta muito bem em um ponto, que é Bruce tentando mostrar a seu filho o porque de tudo que ele faz, enquanto Damian só consegue falar ao pai que não adianta ficar lamentando a morte de seus avós. O melhor de tudo isso é que Bruce concorda com isso, e quer colocar um ponto final na sensação de tristeza pela morte de Thomas e Martha Wayne.
Mas Damian ainda é imprevisível aos olhos do pai, que não está acostumado a ser desobedecido, ainda mais na luta contra o crime. E o roteiro passa bem esse problema que Batman e Robin terão que contornar.
Os desenhos de Patrick Gleason também estão muito bons, com ótimos efeitos de sombra em suas ilustrações, fazendo de Batman & Robin uma boa revista. Tomara que as próximas edições mantenham o nível.
Batwing (Batwing #1)
Equipe: Judd Winick (roteiro), Ben Oliver (arte), Brian Reber (cores).
Sinopse: Somos apresentados a Batwing, o herói escolhido por Bruce Wayne para representar a Corporação Batman no Congo.
Análise: Não vamos mentir aqui, Batwing só entrou para o time de Os Novos 52 da DC por um sistema de cotas, em uma tentativa da editora de falar "olhem só como nos preocupamos com a questão racial". E, por incrível que pareça, isso acabou resultando em uma boa revista!
Os conflitos nos países africanos, sejam as guerras civis ou problemas com traficantes, estão realmente descontrolados. E já que Bruce Wayne resolveu levar o Batman para diversas partes do globo, faz todo o sentido do mundo ele ter um representante no continente.
A revista mostra David Zavimbe, talvez o único policial honesto de todo o Congo, escolhido por Batman para ser o Homem-Morcego daquele país. Não vou entrar em muitos detalhes para não acabar entregando toda a trama, mas o roteiro seguiu bem, fazendo uma introdução eficiente para o novo herói, e mantendo o leito interessado.
A arte da revista está muito bem executada pelo ilustrador Ben Oliver, com desenhos dinâmicos e uma boa diagramação dos quadrinhos. O desenho "pintado", sem arte-final aparente, pode ficar terrível quando não é bem realizado, mas o resultado pode ficar bem bonito quanto é bem feito, o que foi o caso dessa edição.
Mais uma surpresa boa nesse reinício do Universo DC.
Batgirl (Batgirl #1)
Equipe: Gail Simone (roteiro), Ardian Syaf (desenhos), Vicente Cifuentes (arte-final), Ulises Arreola (cores).
Sinopse: Estilhaçado - Barbara Gordon retoma sua identidade heroica de Batgirl, e já enfrenta um perigoso assassino.
Análise: Vou admitir uma coisa: deram uma batata quente nas mãos de Gail Simone. A roteirista ficou com a ingrata tarefa de escrever uma revista onde a Batgirl deveria ser novamente Barbara Gordon, personagem que estava paralítica há anos, desde o clássico A Piada Mortal, de Alan Moore, quando o Coringa atirou nela. Imaginem então que um editor-chefe da DC chegue para você e fale "estamos reiniciando o universo DC, queremos que a Batgirl volte a ser a Barbara Gordon, mas a cronologia da personagem NÃO pode ser apagada, porque A Piada Mortal ainda existiu".
A explicação para Barbara voltar a andar? Nenhuma! Aparentemente por milagre ela um dia levantou da cadeira de rodas. E sinceramente? Se tivessem me deixado com um problema desses na mão, acho que teria pensando na mesma "solução". Mas deixemos a intervenção divina de lado e vamos para o roteiro da revista.
Se não houve explicação alguma para Barbara Gordon ser uma ex-cadeirante, pelo menos a roteirista colocou elementos que remetem ao tempo que ela passou sem ter o uso das pernas, como falando que suas pernas ainda estão fora de forma (ao contrário dos braços), e mostrando que Batgirl ainda tem trauma do tiro que levou do Coringa. Mas alguns pontos do roteiro parecem muito estranhos: Barbara está sem casa para morar e com pouco dinheiro. Oras, o que aconteceu com a torre que estava usando quando era a Oráculo? E porque diabos a Fundação Wayne pode financiar 50 Batmen pelo mundo mas não pode ajudar a Batgirl a pagar aluguel? Elementos assim podem até ajudar na narrativa e adicionar um certo alívio cômico para o roteiro, mas simplesmente não fazem sentido.
O desenho de Ardian Syaf estão bons, acima da média para as novas revistas da DC, detalhados e com expressões e posicionamento corporais muito bons, acho que quebrando um recorde até agora nos meus textos analisando o reboot da DC: três revistas seguidas com uma boa arte.
Resumindo: a história até está decentemente escrita, mas a decisão de devolver o capuz de Batgirl para Barbara Gordon foi muito errada. Isso acabou com a identidade da Oráculo, que foi uma das melhores criações da DC nas últimas décadas. Pena.
Mulher-Gato (Catwoman #1)
Equipe: Judd Winick (roteiro), Guillem March (arte), Tomeu Morey (cores).
Sinopse: ...sem tirar todo o uniforme... - A Mulher-Gato é atacada em seu apartamento e precisa pegar um novo "serviço" para pagar as contas...
Análise: E uma revista que estava andando bem começa a ir para o fundo do poço.
O roteiro até começa bem. Selina perde o apartamento quando capangas tentam capturá-la (ou apenas matá-la), sem ela nem mesmo saber o porquê. Isso a obriga a tentar arrumar um novo "trabalho" (leiam: roubar alguma coisa) para voltar a se erguer, já que todas as suas coisas explodiram. Elementos interessantes do passado de Selina veem a tona, mas toda essa revista, infelizmente, acaba sendo completamente arruinada pelas últimas páginas.
Essa foi a edição que gerou muita polêmica nos EUA, por mostrar Selina "mandando ver" com o Batman no final. Não vou entrar no mérito de que as pessoas aparentemente só viram problema na cena de sexo e não na cena em que Selina espanca cruelmente um homem em um banheiro. Afinal, violência sempre foi muito mais tolerada do que sexo em qualquer mídia norte-americana. A verdadeira questão aqui é que TODA a história serviu apenas como uma desculpa para colocar essa cena, e foi isso que me incomodou. Poxa, isso está até mesmo no TÍTULO da história (...sem tirar todo o uniforme..., falando como a Mulher-Gato e o Batman acabam cedendo aos seus impulsos)!
Só que o que mais me incomodou de verdade nesse roteiro foi aparentemente a única coisa que foi apagada da cronologia do Homem-Morcego e todos os personagens que giram ao seu redor no reinício do universo DC: Selina, que estava cada vez mais próxima de Bruce, agora nunca soube a verdadeira identidade do Batman.
Os desenhos de Guillem March estão bem inconstantes. Em determinadas páginas estão ótimos (principalmente na já citada cena em que a Selina arrebenta a cara de um russo), em outras está terrível. Fora que na maioria das vezes em que a Mulher-Gato aparece parece que a personagem não tem espinha, sendo desenhada em poses impossíveis.
Uma pena, a personagem merecia uma história que fosse mais do que simples apelação...
Capuz Vermelho e Os Foragidos (Red Hood & The Outlaws #1)
Equipe: Scott Lobdell (roteiro), Kenneth Rocafort (arte), Blond (cores).
Sinopse: Eu Lutei com a Lei e Dei uma Surra Nela! - O Capuz Vermelho ajuda Roy Harper a escapar da prisão.
Análise: Não sei por onde começar a falar mal dessa revista. Sério. Não dá para saber o que é pior! Se é a versão terrível que deram para Roy Harper (o antigo parceiro do Arqueiro Verde na cronologia antiga), se é a presença de Jason Todd como o Capuz Vermelho sendo o protagonista do título ou se é a tenebrosidade que fizeram com Koriand'r, a Estelar.
Estelar era uma das personagens mais interessantes que fizeram parte dos Novos Titãs. Sim, ela já era uma personagem com apelo sensual, mas o que fizeram nessa revista é uma afronta: ela se oferece a Roy Harper sem pudor algum, mesmo estando com Jason Todd; em um diálogo entre Jason e Roy, em que Roy pergunta o que o "ex" de Koriand'r faria se soubesse sobre ela e Jason (Estelar teve um longo relacionamento com Dick Grayson , o primeiro Robin. Jason Todd foi o segundo Robin), dando a entender que os Novos Titãs haviam existido antes (a DC deixou claro que isso não aconteceu), ao qual Jason responde que Estelar simplesmente não lembra de nada nem ninguém com quem teve contato anteriormente, por não ligar para os humanos...
Resumindo: Estelar agora é pouco mais do que uma boneca inflável alienígena que esquece as coisas como se fosse um peixinho dourado. TERRÍVEL.
Capuz Vermelho e Os Foragidos simplesmente não vale nem o papel em que foi impressa...
Asa Noturna (Nightwing #1)
Equipe: Kyle Higgins (roteiro), Eddy Barrows (desenhos), JP Mayer (arte-final), Rod Reis (cores).
Sinopse: Bem-vindo a Gotham - Dick Grayson volta a sua identidade de Asa Noturna, e tenta tirar alguns fantasmas de sua vida.
Análise: Dick Grayson sempre foi um de meus personagens favoritos da DC. Ele foi, assim como outros membros dos Novos Titãs, evoluindo com o tempo, passando de parceiro-mirim do Batman para herói independente, mostrando um crescimento físico e também mental, tornando-se um líder, assim como seu mentor. E a fase em que o personagem substituiu Bruce Wayne como o Batman foi uma linha natural de sucessão. Agora, no reinício do universo DC, Dick deixa de ser o Batman para voltar a sua identidade de Asa Noturna, e tenta também se estabelecer novamente em Gotham.
Engraçado que o roteiro de Kyle Higgins, assim como o de Batman & Robin, revista presente nessa mesma edição, revisite o local de origem do herói. Assim como Batman leva o filho Damian até o Beco do Crime para exorcizar seu passado, Dick volta ao Circo Haley, que está em Gotham, para afastar os fantasmas dos pais. O resto da edição é recheado de acrobacias e ação, em uma trama que se estende para o número seguinte, mas esse foi um bom (re)começo para o Asa Noturna.
Os desenhos do brasileiro Eddy Barrows estão ótimos, com uma diagramação muito boa que privilegia a ideia de movimento, essencial para desenhar o personagem.
Batwoman (Batwoman #0)
Equipe: J. H. Williams III (roteiro e arte), W. Haden Blackman (corroteirista), Amy Reeder (desenhos - sequências da Kate), Richard Friend (arte-final - sequências da Kate), Dave Stewart (cores).
Sinopse: Além de Uma Sombra - Batman investiga Kate Kane, a fim de saber se a socialite é realmente a Batwoman.
Análise: Essa revista, na verdade, não faz parte das novas edições lançadas pela DC. Batwoman #0 foi lançada meses antes do reboot, como uma prévia do vindouro título da Batwoman, que ficou congelado por meses depois da controvérsia que a personagem gerou por ser assumidamente homossexual. Por muito tempo, a Batwoman ficou então apenas como coadjuvante, tento participação ativa na série 52 e foi protagonista de um arco de histórias em Detective Comics. Feitas as explicações, vamos a edição.
A revista é dividida em duas partes, diagramadas muito bem quando se cruzam: uma onde Batman observa a Batwoman em ação, outra em que ele segue Kate Kane disfarçado, no intuito de confirmar a identidade secreta da Batwoman.
O roteiro segue aspectos que o leitor que já acompanhou as histórias onde Batwoman apareceu já estão familiarizados (como o envolvimento da heroína com a Religião do Crime) ou as motivações de Kate, mas contatos do ponto de vista do Batman, alheio a esses acontecimentos. É basicamente uma introdução da personagem, explicando pontos-chave de Kate Kane para novos leitores, uma boa solução para a revista própria da personagem, e uma escolha acertada da Panini de começar a publicação por essa edição, e não por Batwoman #1.
A diferença entre as duas partes da história é mostrada até mesmo nos desenhos. A parte da Batwoman é ilustrada por J. H. Williams III, o principal desenhista da série, e a parte de Kate Kane tem traços de Amy Reeder. Isso deixa a revista com uma cara única, usando as duas facetas da personagem de uma maneira bem diferente. Mas mesmo isso sendo bem interessante, acabou gerando um problema: por melhor que os desenhos de Amy Reeder sejam (e a ilustração da parte Kate Kane da revista está muito boa), esses quadrinhos parecem ter sido feitos por uma criança de 5 anos perto dos desenhos de J. H. Williams III. O ilustrador é muito inspirado, e tem um estilo visto em poucos desenhistas de hoje em dia.
Batwoman, no fim, gerou polêmica que não precisava. A sexualidade da personagem é mostrada de uma forma tão natural que não interfere em nada na história. Essa foi uma edição muito boa, e só espero que o padrão se mantenha nos próximos números.
Tirando o deslize feio em Mulher-Gato e as TERRÍVEIS páginas que publicam Capuz Vermelho e Os Foragidos, a revista é bem positiva. Mês que vem A Sombra do Batman poderia deixar de abranger Jason Todd e Cia.
E essa foi mais uma parte da análise dos Novos 52 da DC publicados pela Panini, cobrindo mais 7 novos títulos. Chegamos na metade, faltando agora 26 para o final!